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| Caminhão incendiado em Pau Brasil no sábado |
"O delegado veio pedir para que a situação fique como está. Os índios permaneceriam ocupando as áreas já invadidas e ficariam na paz. Os agricultores fizeram contraproposta, pedindo para que eles se retirassem pelo menos das doze últimas fazendas invadidas, aí sim teria clima de paz. Paz só existe se eles se retirarem das propriedades", afirma. A secretária-geral do sindicato afirma que as 68 fazendas invadidas na região sul são de pequeno e médio porte e produzem leite e gado de corte, em sua maioria. A contraproposta feita pelos agricultores deve ser encaminhada para análise à coordenação local da Fundação Nacional do Índio (Funai).
A reunião foi mediada pelo delegado federal Alex Cordeiro, de Ilhéus, e pelo delegado do Comando de Operações Táticas (COT), queestá na região com cerca de 30 homens da tropa especial desde a tarde de domingo (22). Representante do mesmo sindicato, porém sediado na cidade vizinha de Iraju do Colônia, Hamilton Cardoso comenta que, de domingo (22) para esta segunda, duas outras fazendas foram invadidas e um curral foi queimado, inclusive pondo em risco a vida de parte do gado. "Queimaram a cerca, até animais morreram pegando fogo", conta.
Os delegados titulares da Polícia Federal de Ilhéus não trabalham na delegacia nesta segunda-feira porque é feriado municipal na cidade em homenagem ao dia de São Jorge. Os delegados que participaram do encontro estão sediados na área de conflito, entre os municípidos de Pau Brasil, Itaju do Colônia e Camacan. A reportagem também tenta contato com o representante local da Funai, Wilson Jesus de Souza, mas ainda não obteve sucesso.
No domingo (23), o delegado federal Rodrigo Reis comentou que há conhecimento de que cerca de 64 fazendas já foram tomadas pela população indígena, mas a Fundação Nacional do Índio (Funai) aponta 68. A série de ocupações por parte dos índios foi iniciada em janeiro deste ano, porém o conflito persiste na região há mais de 30 anos. O cacique Nailton Muniz indicou que, durante as últimas décadas, 393 propriedades foram empossadas pelos índios em todo o estado, com atualmente mais de quatro mil pessoas residentes.
Reportagem e Imagem: G1 Bahia




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