sábado, 21 de abril de 2012

Especial - Samu 192: Até que ponto a eficácia planejada é posta em prática?

Samu: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, instituído em 27 de abril de 2004 pelo então presidente Luis Inácio Lula da Silva pelo decreto n º 5.055 visando uma maior eficácia na prestação de serviços de atendimento de caráter emergencial e urgente à saúde. No entanto, para a maioria da população alagoinhense, essa eficiência não passa da teoria.

A Sesab entregou 13 ambulâncias para o Samu Regional de Alagoinhas. 
número de ambulâncias por habitantes está acima do recomendado pelo 
Ministério da Saúde, mas mesmo assim o serviço é prestado com deficiência.
Foto: Elói Corrêa/ AGECOM

No dia 31 de março de 2012, o supervisor de vendas Jailson Pereira presenciou, na BR-110, um acidente automotivo. Ele relata que entrou em contato com sua esposa, pedindo-lhe que verificasse se o serviço de emergência já havia sido solicitado. Na ocasião, a mesma foi informada que uma ambulância já havia sido encaminhada ao local. Já em Alagoinhas, 10 minutos depois, o Sr. Jailson verificou que a informação passada foi falsa, já que todas as ambulâncias encontravam-se na base. Apenas após alertar pessoalmente a equipe, uma ambulância foi deslocada para socorrer a vítima. Foram aproximadamente 30 preciosos minutos desde o acontecimento do acidente até a chegada da equipe de resgate ao local. Felizmente, segundo o Samu, a vítima sobreviveu ao acidente e foi encaminhada ao Hospital Regional Dantas Bião.

Com base nesse fato, nossa equipe decidiu apurar esta e outras ocorrências a fim de mostrar à sociedade até que ponto a eficácia planejada é posta em prática. Não foi difícil achar casos semelhantes: bastou questionar algumas pessoas para ter noção de qual é o tempo-resposta médio do Samu. 

Uma moradora da Rua 15 de Novembro, que prefere não se identificar, lembra-se de um acidente envolvendo uma motocicleta na frente de sua residência em Janeiro de 2012, em que foram pelo menos 40 minutos entre o acionamento do serviço e a chegada da ambulância. 

Já a aposentada Maria Neuza se lembra das duas vezes em que necessitou do serviço. Na primeira vez, numa madrugada, ela estava em sua residência, no bairro Kennedy, quando teve uma crise hipertensiva. Segundo ela, foram pelo menos 15 minutos até a chegada da ambulância. Na segunda vez, ela encontrava-se na antiga Farmácia Salvador, onde sofreu outra crise e foi obrigada a esperar nada menos que 30 minutos a chegada de uma ambulância. Um percurso é normalmente feito em menos de 5 minutos de carro. Ela considerou como “rápido” os 15 minutos e “normal” os 30 minutos. 

Nós fizemos o percurso de carro, e em horário de pico, entre a base do Samu e a residência de Dona Maria e gastamos apenas 6 minutos.  

O estudante Matheus Brito lembra quando seu ex-colega foi eletrocutado, no mês passado. Segundo ele, foram mais de 30 minutos entre o chamado e a chegada da ambulância no local. A vítima, T.A.S.C., 16 anos, foi socorrida com vida, mas morreu logo após chegar ao hospital. Matheus acredita que se o socorro tivesse chegado pelo menos 15 minutos antes, seu ex-colega poderia ter sobrevivido. 

A professora Virginia reconhece a importância do Samu, mas também observa que melhorias devem ser feitas. Ela lembra quando uma senhora se sentiu mal e desmaiou num ponto de ônibus: - Sabemos da importância desse serviço em nossa cidade, mas seu atendimento precisa ser mais rápido, com menos burocracia. Sem contar com a entrevista por telefone, muito demorada. Um dia presenciei, no centro da cidade, uma senhora sentindo-se mal. Quando vieram atendê-la, já passavam de 40 minutos. O Samu precisa ser mais eficiente; são vidas a serem salvas e os usuários precisam usufruir integralmente dos serviços.

Segundo a assistente técnico-administrativa do Samu, Jaguanacy, o atraso na ocorrência da BR 110 ocorreu devido à baixa qualidade da ligação que impossibilitou o registro da ocorrência. Fato este que é colocado em dúvida já que em contato telefônico efetuado pela esposa do Sr. Jailson a telefonista informou de forma clara e inteligível que a ambulância já havia sido deslocada ao local. Segundo ela, os atrasos podem estar relacionados a diversos fatores, como a triagem e, principalmente endereço incompleto ou errado.

Com base nesses fatos procuramos a Coordenação Geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde, onde fomos orientados a procurar a Ouvidoria do mesmo. A Ouvidoria do Ministério da Saúde já foi acionada e em até 90 dias dará a sua resposta oficial

A Secretaria de Saúde de Alagoinhas foi procurada através de Assessoria de Comunicação da Prefeitura mas até o fechamento desta matéria não se manifestou sobre o assunto.

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