Samu: Serviço de Atendimento
Móvel de Urgência, instituído em 27 de abril de 2004 pelo então presidente Luis
Inácio Lula da Silva pelo decreto n º 5.055 visando uma maior eficácia na prestação de serviços de atendimento de
caráter emergencial e urgente à saúde. No entanto, para a maioria da
população alagoinhense, essa eficiência não passa da teoria.
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A Sesab entregou 13 ambulâncias para o Samu Regional de Alagoinhas. O
número de ambulâncias por habitantes está acima do recomendado pelo
Ministério da Saúde, mas mesmo assim o serviço é prestado com deficiência.
Foto: Elói Corrêa/ AGECOM
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No
dia 31 de março de 2012, o supervisor de vendas Jailson Pereira presenciou, na
BR-110, um acidente automotivo. Ele relata que entrou em contato com sua esposa,
pedindo-lhe que verificasse se o serviço de emergência já havia sido
solicitado. Na ocasião, a mesma foi informada que uma ambulância já havia sido encaminhada
ao local. Já em Alagoinhas, 10 minutos depois, o Sr. Jailson verificou que a
informação passada foi falsa, já que todas as ambulâncias encontravam-se na
base. Apenas após alertar pessoalmente a equipe, uma ambulância foi deslocada
para socorrer a vítima. Foram aproximadamente 30 preciosos minutos desde o
acontecimento do acidente até a chegada da equipe de resgate ao local.
Felizmente, segundo o Samu, a vítima sobreviveu ao acidente e foi encaminhada
ao Hospital Regional Dantas Bião.
Com
base nesse fato, nossa equipe decidiu apurar esta e outras ocorrências a fim de
mostrar à sociedade até que ponto a eficácia planejada é posta em prática. Não
foi difícil achar casos semelhantes: bastou questionar algumas pessoas para ter
noção de qual é o tempo-resposta médio do Samu.
Uma
moradora da Rua 15 de Novembro, que prefere não se identificar, lembra-se de um
acidente envolvendo uma motocicleta na frente de sua residência em Janeiro de
2012, em que foram pelo menos 40 minutos entre o acionamento do serviço
e a chegada da ambulância.
Já a aposentada
Maria Neuza se lembra das duas vezes em que necessitou do serviço. Na
primeira vez, numa madrugada, ela estava em sua residência, no bairro Kennedy,
quando teve uma crise hipertensiva. Segundo ela, foram pelo menos 15 minutos
até a chegada da ambulância. Na segunda vez, ela encontrava-se na antiga
Farmácia Salvador, onde sofreu outra crise e foi obrigada a esperar nada menos
que 30 minutos a chegada de uma ambulância. Um percurso é normalmente feito em
menos de 5 minutos de carro. Ela considerou como “rápido” os 15 minutos e “normal”
os 30 minutos.
Nós
fizemos o percurso de carro, e em horário de pico, entre a base do Samu e a
residência de Dona Maria e gastamos apenas 6 minutos.
O
estudante Matheus Brito lembra quando seu ex-colega foi eletrocutado, no mês
passado. Segundo ele, foram mais de 30 minutos entre o chamado e a chegada da
ambulância no local. A vítima, T.A.S.C., 16 anos, foi socorrida com vida, mas
morreu logo após chegar ao hospital. Matheus acredita que se o socorro tivesse
chegado pelo menos 15 minutos antes, seu ex-colega poderia ter sobrevivido.
A
professora Virginia reconhece a importância do Samu, mas também observa que
melhorias devem ser feitas. Ela lembra quando uma senhora se sentiu mal e
desmaiou num ponto de ônibus: - Sabemos
da importância desse serviço em nossa cidade, mas seu atendimento precisa ser
mais rápido, com menos burocracia. Sem contar com a entrevista por telefone,
muito demorada. Um dia presenciei, no centro da cidade, uma senhora sentindo-se
mal. Quando vieram atendê-la, já passavam de 40 minutos. O Samu precisa ser
mais eficiente; são vidas a serem salvas e os usuários precisam usufruir
integralmente dos serviços.
Segundo
a assistente técnico-administrativa do Samu, Jaguanacy, o atraso na ocorrência
da BR 110 ocorreu devido à baixa qualidade da ligação que impossibilitou o
registro da ocorrência. Fato este que é colocado em dúvida já que em contato
telefônico efetuado pela esposa do Sr. Jailson a telefonista informou de forma
clara e inteligível que a ambulância já havia sido deslocada ao local. Segundo ela,
os atrasos podem estar relacionados a diversos fatores, como a triagem e,
principalmente endereço incompleto ou errado.
Com
base nesses fatos procuramos a Coordenação Geral de Urgência e Emergência do
Ministério da Saúde, onde fomos orientados a procurar a Ouvidoria do mesmo. A
Ouvidoria do Ministério da Saúde já foi acionada e em até 90 dias dará a sua
resposta oficial
A
Secretaria de Saúde de Alagoinhas foi procurada através de Assessoria de
Comunicação da Prefeitura mas até o fechamento desta matéria não se manifestou
sobre o assunto.
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